sábado, 24 de janeiro de 2015

Ao pedir pena de morte para tráfico de drogas, matamos junto a civilização


O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira foi fuzilado, na manhã de domingo, na Indonésia, 15h30 deste sábado (17), no Brasil, por ter sido condenado por tráfico de drogas. Ele tentou entrar no país, em 2003, com 13,4 kg de cocaína em tubos de uma asa-delta.
Muita gente nas redes sociais está louvando a atitude do governo indonésio, tuitando e postando que o traficante brasileiro teve o que mereceu e pedindo para que a lei mude no Brasil a fim de que a pena de morte passe a valer para casos penais comuns (ela persiste apenas em tempos de guerra) e salvar as “pessoas de bem'' do caos.
Há ainda os que exigem que a polícia daqui faça o mesmo: chega de julgamentos longos e com chances dos canalhas se safarem ou de “alimentar bandido'' em casas de detenção. Execute-os com um tiro, de preferência na nuca para não gastar muita bala, e resolve-se tudo por ali mesmo. Limpem a urbe.
E vamos indo da barbárie para a decadência sem passar pela civilização.
“Ah, lá vem o japa idiota defender bandido''. Não, não estou. Mas, para muita gente, isso não importa. Já formaram um conceito em sua cabeça e, a partir daqui, tudo o que eu escreva para fomentar um debate será desconsiderado em nome da saída mais fácil.
Primeiro, mais cedo ou mais tarde, e gostem vocês ou não, haverá uma paulatina descriminalização e regulamentação do comércio e do uso de psicoativos, com, é claro, a necessária e prévia introdução de um sistema de informação e conscientização sobre o seu uso. Por uma razão simples: o negócio formal também dá dinheiro. E muito. Nos Estados do Colorado e na capital Washington DC, por exemplo, os Estados Unidos já regularizaram a maconha – tal como nosso vizinho Uruguai. Outros países discutem o mesmo, incluindo substâncias mais fortes, em uma discussão de longo prazo. Sabem que a Guerra às Drogas falhou, servindo apenas para controle geopolítico e para fortalecer grupos de poder locais e o tráfico de armas. E, a propósito, se vocês soubessem como historicamente foi definido o que é droga e o que não é, não levariam isso muito a sério.
Mas este não é o tema. Marco desrespeitou a legislação de outro país e, por conta disso, é natural que fosse punido. Mas pagar com a própria vida foi um custo demasiadamente alto.
“Ah, japonês, mas e as vidas que ele tirar com essas drogas?'' Nesse sentido, acidentes com automóvel mataram mais que as drogas no último século. Que tal punir as montadoras? “Ah, mas aí depende do uso que se faz automóvel e de como aprendemos a usa-lo''. Essa relação exagerada que fiz serve para mostrar que o debate não é tão simples como te vendem na TV.
Para muita gente aqui, execuções sumárias são lindas, sejam as feitas legalmente e “informalmente'' pela mão do próprio do próprio Estado (ao caçar traficantes em morros cariocas ou na periferia da capital paulista), sejam as feitas pelas mãos da população (ao linchar suspeitos de crimes por turbas enfurecidas e idiotizadas).
Se com o devido processo legal, inocentes amargam anos de cadeia devido a erros, imagine sem ele? Já trouxe aqui uma miríade de casos de pessoas que foram espancadas pela irracionalidade coletiva, acusadas de serem responsáveis por crimes que, posteriormente, provaram-se não terem relação. Não tiveram direito à defesa ou à recurso, que são fundamentais, uma vez que a decisão tomada através do processo legal – por mais que seja falha – ainda é o melhor que temos.
Ao mesmo tempo que pessoas nas redes sociais estão tendo orgasmos múltiplos com a execução pública do brasileiro na Indonésia, alguns comentaristas na imprensa (e não estou falando dos programas sensacionalistas espreme-que-sai-sangue) parecem vibrar a cada pessoa abatida na periferia, independentemente quem quer que seja.
Jornalistas, cuja opinião respeito, optaram pela saída fácil do “isso é guerra contra as drogas e, na guerra, abre-se exceções aos direitos humanos”, tudo em defesa de uma breve e discutível sensação de segurança.
Vale lembrar que as verdadeiras batalhas do tráfico sempre aconteceram longe dos olhos da mídia, uma vez que a imensa maioria dos corpos contabilizados sempre é de jovens, pardos, negros, pobres, que se matam na conquista de territórios para venda de drogas ou pelas leis do tráfico. No Brasil e fora dele.
Os mais ricos sentem a violência, mas o que chega neles não é nem de perto o que os mais pobres são obrigados a viver no dia a dia. Mesmo no pau que está comendo, sabemos que a maioria dos mortos não é de rico da Lagoa, da Barra ou do Cosme Velho. Ou do Morumbi, do Jardim Europa e de Perdizes.
Considerando que muitos policiais, comunidades e traficantes são de uma mesma origem social, é uma batalha interna. Então, que morram, como disseram alguns leitores esquisitos que, de vez em quando, surgem neste blog feito encosto.
Como já disse aqui várias vezes, de tempos em tempos, a violência causada pelo crime organizado retorna com força ao noticiário, normalmente no momento em que ela desce o morro ou foge da periferia e no, decorrente, contra-ataque. Neste momento, alguns aproveitam a deixa para pedir a implantação de processos de “limpeza social” e de execuções de bandido.
Muitas das postagens que estão correndo nas redes sociais sobre a pena de morte para o brasileiro na Indonésia não estão refletindo sobre a gravidade de seu delito (ele não atentou contra a vida de ninguém) para concordar com as leis indonésias, mas projetando o seu sentimento pessoal sobre o tráfico de drogas no Brasil e o seu desejo de vingança contra aquilo que, diariamente, parte da mídia escolhe mostrar.
Desejo tardio. Porque, como todos nós sabemos, a pena de morte já existe em São Paulo, no Rio de Janeiro e em tantas outras grandes cidades, apesar de não institucionalizada, como instrumento policial. Há também milícias que se especializaram nisso, inclusive, ao avocar para si o monopólio da violência que, por regra, deveria ser do Estado.
Gostaria que fossem tornados públicos os exames dos legistas. Afinal de contas, acertar um tiro na nuca de um suspeito no meio de um confronto armado demanda muita precisão do policial – e depois registrar o ocorrido como auto de resistência demanda criatividade.
Para contrapor os bandidos estamos optando pelo terrorismo de Estado ao invés de buscar mudanças estruturais (como garantir real qualidade de vida à população para além de força policial dia e noite) e punir de forma exemplar crimes, como prevê a lei, contra a vida.
Ninguém está defendendo o crime, muito menos bandidos e traficantes – defendo a descriminalização das drogas como parte do processo de enfraquecimento dos traficantes e pelas liberdades individuais, mas isso é outra história.
O que está em jogo aqui é que tipo de Estado e de sociedade que estamos nos tornando ao defendermos pena de morte ou Justiça com as próprias mãos. Do que estamos abrindo mão com isso?
Enfim, como já leram várias vezes por aqui, de vez em quando não sei de quem tenho mais medo: dos bandidos, dos “mocinhos'' ou de nós mesmos.

Fonte: blog do Japa

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Droga proibida, máfia agradecida.

Recentemente, deparamo-nos com campanha publicitária, liderada por grupo denominado ‘Brasil Sem Drogas’, com propósito de rechaçar a legalização da maconha. Para tanto, utiliza frases interrogativas do tipo: “Você teria coragem de ser operado por um médico que acabou de fumar um baseado?” ou “Você entraria num avião cujo piloto acabou de fumar um bagulho?”, todas seguidas de resposta com uma mesma afirmação: “Se a maconha for legalizada, isso será considerado normal”. Ora, tal campanha ofende a inteligência das pessoas, pois em relação às bebidas alcoólicas, por exemplo, são permitidos a produção, a distribuição e o consumo. No entanto, nem por isso temos notícias de profissionais exercendo suas atividades laborais cotidianas em estado de embriaguez.

Sendo assim, a referida campanha de conteúdo mistificador e estigmatizante revela o propósito – ainda que não explicitamente assumido – de fazer com que as pessoas assumam postura (contrária à legalização), movidas pelo medo do desconhecido. A relação entre seres humanos e substâncias entorpecentes é antiquíssima, sendo associada a diferentes perspectivas culturais – religiosas, curativas, recreativas etc. – de modo que o problema não está na substância em si, mas no uso que se faz dela. Assim, o que deve ser desestimulado é o uso abusivo de substâncias que podem causar dependências, também no que se refere a algumas aparentemente inofensivas, como o sal e o açúcar, inclusive.

Como tais substâncias podem causar problemas à saúde, o poder público deve investir em campanhas honestas de educação sobre drogas, que alertem para os reais riscos e danos associados ao uso, bem como combatam o estigma em relação aos usuários. Além disso, deve atuar como instância reguladora/fiscalizadora dos processos de produção, distribuição, comercialização e consumo das mesmas. A mera proibição não resolve o problema, pelo simples fato de não conseguir inibir a demanda (associada ao desejo das pessoas). Por isso, a chamada “guerra às drogas” tem fracassado em todo o mundo e só contribui para mais violência, decorrente do fortalecimento do crime organizado (e as consequências nefastas a ele associadas). A propósito, o combate direto ao mesmo costuma atingir muito mais a população pobre - morta ou encarcerada em massa - basta ver o que expressam as estatísticas sobre a maior parte da população carcerária ou vítima de homicídios.

Arnaldo Fernandes
arnaldofce@terra.com.br

Sobre o Ensino de Sociologia e Fiolosofia


Querida Presidenta Dilma
retirar as disciplinas de Sociologia e Filosofia do Currículo das escolas não irá tornar a Escola mais atrativa, ao contrário, tornará a escola mais chata. O que tornará a escola mais atrativa é a linguagem utilizada para passar o conhecimento para os alunos, mas isso custa caro e é perigoso. Porque alunos interessados em conhecimento representam futuros pensadores, questionadores e por consequência seres humanos que não aceitam qualquer coisa como explicação e nem trocam seus valores e princípios por qualquer quantia.
Eu adicionaria as disciplinas nas escolas ainda mais duas bem importantes, DIREITO - para que os alunos aprendessem no mínimo o artigo 5o da constituição e tomassem conhecimento de como funcionam as leis desse país. E MÚSICA - porque a música alegra e estimula o cérebro.
Com alunos na escola em tempo integral, em instituições bem cuidadas, professores bem preparados e bem remunerados, o Brasil seria um sério candidato a não tolerar mais bandalhas e Governos de qualquer partido, que não respeitassem os princípios básicos para se obter Justiça social e prosperidade.
O emburrecimento é um excelente viés para a manutenção do poder SUJO.
Tico Santa Cruz

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual nas escolas: o “ataque aos princípios norteadores da família”

Há três anos nos debruçamos na construção de um Plano Nacional de Educação que finalmente diga que a escola é um lugar de inclusão, de superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual. A redação proposta pelo relator foi construída com movimentos sociais, organizações da sociedade civil, entre outros grupos, ao longo desses três anos de discussão. Apesar disto, parlamentares ligados a grupos religiosos se opõem a este trecho do projeto e fazem uma suja manipulação das informações a fim de colocar a população contra esta iniciativa.

A escola não é única, ela é diversa. A escola é formada de gente branca, negra, pobre, mulheres, homens (cissexuais e transexuais), homossexuais, heterossexuais. A escola é um lugar de diversidade! As pessoas homossexuais e transsexuais existem em sua materialidade e não podem ser ignoradas no texto da lei; ignorá-las seria irresponsabilidade, insensibilidade e burrice!
A realidade é que existe o medo por parte desses grupos. Medo de uma educação de qualidade, que desconstrua a nossa cultura de violência discriminatória. Há o medo que esta educação forme uma consciência crítica, que dê às pessoas a possibilidade de uma vida com pensamento, com a possibilidade de não elegerem mais estes demagogos. Há também o medo de uma educação que ensine para as meninas que elas têm vulnerabilidade em uma sociedade machista e misógina e que a posição subalterna que elas ocupam é uma construção cultural, e não algo natural.

Enfim, mais um dia se passou. Na esperança de finalmente votarmos o Plano Nacional de Educação, nós que nos ocupamos verdadeiramente com a questão da Educação, enfrentamos mais uma extenuante sessão – ao menos dessa vez os fundamentalistas religiosos, fanáticos e suas faixas com exortações contra a “ideologia de gênero” tiveram que dividir o espaço com os coletivos de estudantes, o que serviu para contê-los um pouco; mesmo assim, num dado momento, começaram a rezar, em uníssono, o Pai Nosso; dá para crer? -. Mas infelizmente ela, a sessão, expirou antes que o plano fosse votado.
A bancada evangélica (e que fique claro que essa bancada não representa todos nem mesmo a maioria dos evangélicos desse país) apresentou um “voto em separado” por meio do deputado e pastor Paulo Freire (coitado do educador Paulo Freire, que tem o azar ser homônimo desse senhor). Nesse voto em separado, lido pelo deputado e pastor Ronaldo Fonseca, a bancada evangélica diz que a comunidade LGBT promove “ataques aos princípios norteadores da família”. Ela não exemplifica que “ataques” são esses, mas eu suponho que seja a reivindicação de um ambiente escolar que promova o bem-estar de mulheres em geral, homossexuais e transexuais e esteja livre de bullying e discriminações motivadas por homofobia, racismo e sexismo. Se essa reivindicação – justa e decorrente dos direitos políticos assegurados pela Constituição Federal – é um “ataque aos princípios norteadores da família”, é preciso se perguntar: que “princípios” são esses?
A bancada evangélica não disse a que “ataques” se refere, mas eu digo que ela, sim, ataca os princípios da Constituição Cidadã quando quer negar a existência dos diferentes arranjos ou entidades familiares – as famílias monoparentais, chefiadas só por mães ou pais solteiros; as famílias formadas por casais estéreis ou por casais que não desejam ter filhos; as famílias compostas por casais e filhos adotivos; as famílias estendidas, que nascem do divórcio; e as famílias formadas por dois homens ou duas mulheres, com filhos ou não – já reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal, intérprete último da Constituição Federal e pela sociedade em geral.
O “voto em separado” da bancada evangélica também se refere a “ataques à liberdades públicas”. Não sei a que “liberdades públicas” eles se referem, mas suspeito que sejam as liberdades de oprimir e difamar minorias sexuais, étnicas e religiosas. Quem ataca as liberdades públicas é a bancada evangélica, que, no afã de impor seus dogmas e “valores” a uma sociedade plural e diversa religiosa e culturalmente, difama, em seus cultos e telecultos, as religiões de matriz africana (umbanda, candomblé e etc.), o espiritismo e seus adeptos. Ataques às liberdades acontecem quando a bancada evangélica desrespeita e insulta os ateus; defende a conversão de povos indígenas ao cristianismo por meio da exploração de sua miséria (algumas etnias denunciaram à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara a invasão de terras indígenas por igrejas evangélicas sob o pretexto da “conversão dos infiéis”); e apresenta projetos para legalizar imposturas como clínicas de “cura gay”.
O “voto em separado” da bancada evangélica não é apenas um monumento ao obscurantismo ou uma ignorância do progresso científico e material que experimentamos nos últimos dois séculos, é um exemplo da pior inserção do ponto de vista religioso na esfera pública: aquele que abre mão da reflexão e do discernimento. Na sequencia da leitura do voto, outro pastor-deputado, o tal de Eurico (cujas feições trazem os sinais de uma amargura e uma infelicidade injustificáveis em alguém que está certo de que será salvo no dia do juízo), falou como representante de toda comunidade cristã, vociferando mentiras tão deslavadas quanto aquelas que arrancam, de fiéis ingênuos, dinheiro em troca de terrenos no paraíso. Ora, esse senhor não representa toda – nem mesmo a maioria da – comunidade cristã! Ele representa apenas os fundamentalistas reacionários e fanáticos!
Num dado momento, o tal deputado-pastor Eurico apresentou o total de telefonemas contra a “ideologia de gênero” feitos à Câmara como prova de “a maioria do povo Brasileiro” estaria contra a agenda de minorias. Eu ri porque é mesmo ridículo a bancada evangélica crer que não somos capazes de inferir que esses telefonemas correspondem a uma ação orquestrada e financiada com o dinheiro (muito dinheiro!) não tributado nem fiscalizado obtido com a exploração comercial da fé de gente pobre e/ou desesperada ou desamparada. É ridículo crer que não sabemos que o enriquecimento desenfreado depende justamente da reafirmação dos preconceitos dos fiéis em relação à homossexualidade e às religiões minoritárias.
Por causa de show de horrores, o PNE não foi votado. Pior: essa bancada nos obrigou a nos concentrarmos nesse ponto, quando o plano é muito maior que isso. O PNE estabelece metas para a educação a serem cumpridas nos próximos dez anos. Entre as diretrizes estão a erradicação do analfabetismo e a universalização do atendimento escolar. O plano também destina 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação – atualmente são investidos no setor 5,3% do PIB brasileiro.
Os demais deputados que não são evangélicos, mas são conservadores (e até mesmo alguns liberais como Gabriel Chalita e Raul Henry) aproveitaram esse rebaixamento promovido pela bancada evangélica para virem com argumentos do tipo “os dois lados estão radicalizando; vou me abster”. Ora, não há “radicalização” por parte de quem trabalhou democraticamente três anos num PNE para o país. Mas há oportunismo por parte de parlamentares que passaram ao largo desse trabalho e agora querem impor sua visão de mundo estreita ao plano, com auxílio de uma claque que segura cartazes contra a “ideologia de gênero”, mas que não faz a menor ideia do que significa ideologia ou gênero.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Governo Dilma e o CAPITALISMO casamento perfeito.


A imagem à cima mostra a verdadeira face oculta do governo Dilma, mostra à quem realmente esse governo serve, é só observar e verás bem claro que esse governo dar total prioridade ao banqueiros deixando de lado serviços como saúde educação e saneamento entre outros.
A luta de militantes da educação é constante ha anos, para que seja utilizado 10% do PIB para a Educação, mas este governo que na campanha de 2010 estufava o peito e defendia melhores salários para os professores agora indicam e defendem à PL 3776/08 que muda o cálculo do Piso dos professores e defasa ainda mais o salário do professor, causando assim perdas terríveis a essa classe.
Um governo que vem de um partido que se declara do lado dos trabalhadores não pode está do lado do capital, enganar o povo com ”esmolas” e trair todos os camaradas que a elegeram acreditando ser uma opção coerente ao proletário.
E quando falamos em salário Mínimo o problema ainda é mais embaixo, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas de Estudos Socioeconômicos) o salário digno para uma pessoa viver para esse ano seria de R$2.729,24, a Dieese faz essa conta baseada num cálculo médio da cesta básica de todos os municípios do País. Enquanto isso os trabalhadores assalariados vão amargar em 2014 todo fim de mês com um vencimento de R$722,90, valor esse que mal dar para sua alimentação.
Pelo que vimos o Governo atual abraçou o capitalismo como forma de ganhar e se manter no poder, colocando como prioridade os banqueiros (42,42% da previsão dos gastos para 2014) e deixando de lado mais uma vez a educação com (3,44%).
É preciso fazer a critica também a alguns sindicatos e Instituições Sindicais como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), FETAMCE entre outras que se esquecem que à PL 3776/08 é indicação do Executivo e voltam-se suas críticas aos Deputados e Senadores para que a mesma não seja aprovada. É preciso fazer a crítica ao governo Dilma e seu Ministério da Educação para que deixe de dar prioridade aos banqueiros (se isso é possível já que foi com o dinheiro deles que a mesma se elegeu), esses porcos capitalistas que sugam o dinheiro público como verdadeiros carrapatos.
É preciso ficar atento e cobrar de todas as instituições que se dizem representar a classe trabalhadora e que na realidade são verdadeiros pelegos cooptados pelo governo Dilma.
PROFESSORES FIQUEMOS ATENTOS, É PRECISO UNIDADE PARA LUTAR!

Markinhus, vice presidente do SINSEPMBC e militante do Partido Socialismos e Liberdade.
Fonte: markinhuscienciassociais.blogspot.com

domingo, 6 de outubro de 2013

Se Jesus existisse hoje


Venho ao povo de deus trazer uma boa notícia (embora ela venha acompanhada de uma não tão boa assim, para alguns). A boa notícia é que o evento por vós tão aguardado aconteceu: Jesus voltou. A má notícia é que ninguém avisou que ele precisava agradar a sociedade patriarcal cristã.
Jesus voltou e só anda com gente esquisita. Seu lugar é ao lado dos marginalizados, dos não-aceitos, dos diferentes. Foi visto enrolado numa bandeira de arco-íris na Parada Gay e cercado de amigas com os seios de fora na Marcha das Vadias. Ele, ao contrário dos fariseus dos nosso tempos, não carrega preconceitos mesquinhos, nojo de gente, ódio de pessoas por elas serem o que são. Vejam só, que surpresa.
Jesus voltou e não é cristão (aliás, coisa que nunca foi). Ele não frequentou nenhuma igreja ainda, não apareceu nos grandes templos, não pagou o dízimo, não está do lado de quem explora a fé dos outros. Aparentemente, ele se recusa a seguir uma religião tão empenhada em condenar pessoas, em impor proibições e pensamentos, em interferir na lei. Inclusive, Jesus foi fotografado em uma manifestação pelo Estado laico, segurando um cartaz que dizia: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”
Jesus voltou e não é filho da virgem, é filho da puta. É por isso que ele sabe a barra que essas mulheres enfrentam, o perigo que correm, a humilhação a que são submetidas, a cidadania que lhes é negada. Jesus é amigo das prostitutas, das travestis, das que são empurradas para o submundo ou das que escolhem esse caminho para juntarem uma grana legal e batalharem por uma vida melhor, como qualquer outra pessoa, afinal de contas.
Jesus voltou e talvez seu retorno não tenha sido alardeado, celebrado e divulgado na TV e nos sites de fofoca porque ele nasceu invisível. Jesus voltou negro e, como tantos e tantas outras que não nasceram da cor “certa”, ele foi invisibilizado por uma cultura que celebra apenas a branquitude e que esperava por um Jesus loiro dos olhos claros, como nas imagens espalhadas nas igrejas. Além disso, nenhuma estrela-guia marcou o nascimento de Jesus, porque aparentemente estrelas-guia não chegam na favela onde ele nasceu – lá, onde só chega o descaso do Estado e o preconceito das elites. Sabe-se apenas que sem dúvidas ele é Jesus porque só um milagre explica como uma pessoa negra que cresceu na favela ainda não tenha sido “desaparecida” pela PM em uma de suas truculentas operações no morro.
Jesus voltou e não quer saber dos poderosos. Seu rolê é com a galera das quebradas, com os que moram nas ruas, com os grafiteiros, com os skatistas, com as crianças que vendem balinha no sinal. Quando não é confundido com mendigo, é tomado por bandido. Meliante. Perigoso.
Jesus voltou para barbarizar. Ajudou a quebrar vitrines, a tacar pedras na Tropa de Choque e levou muita bomba na cara. Voltou para virar o mundo de cabeça pra baixo – e não dá para fazer isso sem escandalizar a tia Gertrudes que reza o terço no terceiro andar ou o coxinha engomadinho que apresenta o telejornal.
Jesus voltou e é feminista. Porque não dá para ser revolucionário de verdade sem antes lutar para destroçar o patriarcado e picotar os papéis de gênero em centenas de pedacinhos, como na multiplicação dos pães. Jesus voltou e é queer, é “amigx” dos e das transsexuais, dos inadequados, dos indefinidos. Daqueles e daquelas que se recusam a ser definidos, rotulados, padronizados e limitados por essa sociedade doente.
Jesus voltou não para curar os cegos, os leprosos ou ressuscitar os mortos. Jesus voltou para mandar à merda aqueles que dizem amar, mas discriminam. Aqueles que dizem respeitar, mas desumanizam. Aqueles que dizem que somos todos irmãos, enquanto há tanta desigualdade social, racial, de gênero. Aqueles que prometem o “reino dos céus” mas são incapazes de refletir sobre seus privilégios aqui na Terra. Aqueles que acreditam que existe um diabo, mas não vêem que o demônio é o racismo, o machismo, a transfobia e a homofobia que eles próprios alimentam. Jesus voltou pra dizer que essa galera tá errando feio. Errando rude.
Jesus voltou e é minoria vândala. Talvez por isso, de novo, não tarde a ser crucificado bem jovem.

“Meu Cristo é o Cristo das prostitutas, minorias, marginalizados, negros, dos que têm fome.” (Plínio Marcos)


Fonte: Aline Valek

quarta-feira, 25 de setembro de 2013




E as perseguições não param aos dirigentes sindicais em Bela Cruz. Direção do sindicato foi retirada da folha dos 60% do Fundeb sem nenhuma justificativa, e mesmo após o Sindicato provar que a lei do Piso (Lei nº 11.494/2007) garante em seu artigo 22, a permanência do dirigente sindical, sem prejuízo de sua  remuneração, que em hipótese alguma pode ser prejudicado por encontrar-se em licença remunerada com ônus para o ente público, nenhuma mudança foi feita, aliás se quer a prefeitura respondeu o ofício enviado pela direção sindical.
Para alguns essa mudança na folha pode não representar diferença, mas para nós dirigentes representa muito, hoje se dá mais uma prova disso, pois mesmo fechando acordo com o sindicato em pagar o retroativo até o dia 23, hoje 24 de Setembro só foi pago aos professores que estão na folha do 60%, deixando de fora, sem data marcada todos os outros servidores incluindo os dirigentes sindicais. Lembrando que o acordo foi feito para ser pago o retroativo de todos os servidores.
Pelo que temos visto este governo se caracteriza por quebra de acordo, pois este não foi o primeiro e pelo visto não será o último.
 Os Agentes de Endemias são uma prova concreta disso, pois mesmo após duas reuniões com o governo e diversos acordos serem feitos, todos foram descumpridos e os servidores ameaçam parar de trabalhar por não terem condições mínimas para o exercício do mesmo. Diversos pontos são colocados por eles, como transporte adequado, pois os mesmos trabalham com suas motos na zona rural, fardamento, material básico de trabalho, entre outros problemas que a prefeitura não mostra nenhum interesse em solucionar.
Enquanto as perseguições que sofremos diariamente por esse governo, falo por mim, Markinhus, vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Bela Cruz e em nome de meus companheiros.
Se essa for uma forma de intimidação, desculpa informar mas não está funcionando, pois a cada pancada recebida, nos tornamos mais fortes e iremos lutar com mais força contra qualquer governo que venha impor sua ditadura barata em nosso município. O Sindicato dos Servidores Públicos vai sempre lutar contra qualquer tipo de perseguição, e buscar sempre através da luta e da unidade, melhores condições de trabalhos e melhores salários para os servidores públicos dessa cidade, pois a crise instaurada aqui não foi criada por nós e não somos nós que vamos pagar.

Markinhus
Vice-Presidente
SINSEPMBC

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico


Por Eliane Brum

O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.
- Você é evangélico? – ela perguntou.
 - Sou! – ele respondeu, animado.
 - De que igreja?
 - Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...

Eliane Brum. Jornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais
de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem.
É autora de um romance -
Uma Duas (LeYa) - e de três
livros de reportagem: Coluna
Prestes – O Avesso da Lenda
(Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê
 (Arquipélago
Editorial, Prêmio Jabuti 2007)
e O Olho da Rua (Globo).
E codiretora de dois
documentários: Uma História
Severina e Gretchen Filme
Estrada.
O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.  

A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.

Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.

Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.

É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.

Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.

Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.

Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.

Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.

Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.

fonte: Revista Época